Filho de Érico Veríssimo, um dos maiores nomes da literatura nacional, Luis Fernando Verissimo nasceu em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936. Aos 16 anos, foi morar nos EUA, onde aprendeu a tocar saxofone, hábito que cultiva até hoje – tem um grupo, o Jazz 6. É jornalista, mas “do tempo em que não precisava de diploma para exercer a profissão”. Antes de se dedicar exclusivamente à literatura, trabalhou como revisor no jornal gaúcho Zero Hora, em fins de 1966, e atuou como tradutor, no Rio de Janeiro. Casado há mais de 30 anos com Lúcia Verissimo (“não é a atriz, não é a atriz!”), sua primeira “namorada séria”, tem três filhos: Fernanda, Mariana e Pedro.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cuecas


   Giselda confidenciou a Martô, sua melhor amiga, que nada no noticiário recente a abalara mais do que a volta à moda da cueca samba-canção.
   - Não sei se você entende - disse Giselda.
   - Eu entendo - disse Martô.
   - O Júlio usa cueca samba-canção - disse Giselda.
   - Eu sei - disse Martô.
   - E isso me dava uma certa segurança. Entende?
   Martô entendia. Era o fim da tarde. As duas tinham tirado os sapatos e estavam com os pés sobre a mesinha de centro, na sala da Giselda. Jovens senhoras.
   - Bobagem, claro - disse Giselda. - Mas, entende?
   - Perfeitamente - disse Martô.
   - Eram, assim, como um símbolo. As cuecas do Júlio. De estabilidade. De bom senso. Até de uma certa resignação diante da vida. Mas no bom sentido.
   - Claro.
   - Imagina se um dia ele me aparece de Zorba. De sunga. Colorida! Sinal de quê?
   - Outra.
   - Isso. Ou outras.
   - Podes crer.
   - Mas não. Ele insistia nas cuecas samba-canção. Até tinha horror a novas. Queria sempre as mesmas. Rasgadas, não importava. Você podia desconfiar de alguma coisa de um homem assim? Vou dizer uma coisa. Cueca é caráter.
   - Quem vê cueca vê coração.
   - Você acha que eu estou brincando?
   - O que é isso? Eu estou concordando com você.
   - Eu insistia para ele trocar de cuecas. Mas no fundo, no fundo, gostava que ele fosse assim. E agora isso...
   - O quê?
   - As cuecas samba-canção na moda de novo. Entende?
   - Anrã.
   - Ele não vai mais ter vergonha de tirar as calças na frente de outra.
   - Ou outras.
   - Ou outras. Pode até dizer que não tem culpa. Não foi ele que mudou, foi a moda. Continua o mesmo homem sério e conservador. Não foi ele que resolveu sair para a vida, a vida é que veio atrás dele. Vou ter que ficar de olho. Agora sim. Olho vivo. Ou eu estou exagerando?
   - Não, não.
   Depois que Martô saiu, Giselda foi tratar do jantar das crianças e do Júlio. Só horas mais tarde, vendo o filme na TV com o Júlio roncando ao seu lado, repassando a conversa daquela tarde, é que se deu conta. Telefonou para a Martô.
   - Martô?
   - O que é, Gi?
   - Quando eu disse que o Júlio só usa cueca samba-canção...
   - Sim?
   - O que é que você quis dizer com “eu sei”?!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Morre aos 73 anos o escritor gaúcho Moacyr Scliar

Morreu neste domingo (27) o escritor e colunista da Folha Moacyr Scliar, 73. A morte ocorreu à 1h. Segundo o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, onde ele estava internado, Scliar teve falência múltipla dos órgãos.
O velório acontece hoje na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, a partir das 14h. De acordo com nota oficial da Academia Brasileira de Letras, o enterro acontecerá na segunda (28), às 11h, no Cemitério Israelita de Porto Alegre.
O escritor sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico no dia 16 de janeiro. Ele já estava internado para a retirada de pólipos (tumores benignos) no intestino.



Moacyr Scliar
Moacyr Scliar em sua casa em Porto Alegre

   Logo depois do AVC, o escritor foi submetido a uma cirurgia para extirpar o coágulo que se formou na cabeça. Depois da cirurgia, ele ficou inconsciente no centro de terapia intensiva.
O quadro chegou a evoluir para a retirada da sedação, mas no dia 9 de fevereiro o paciente foi abatido por uma infecção respiratória e teve de voltar a ser sedado e à respiração por aparelhos.
Por causa da idade, os médicos evitaram fazer prognósticos sobre a recuperação do escritor. 

CARREIRA
Nascido em Porto Alegre e formado em medicina, o escritor e colunista da Folha publicou mais de 70 livros entre diversos gêneros literários: romance, crônica, conto, literatura infantil e ensaio.
Scliar ganhou diversos prêmios Jabuti. Em 2009, o romance "Manual da Paixão Solitária" foi eleito livro do ano. Ele também emplacou dois na categoria romance, "Sonhos Tropicais" (1993) e "A Mulher que Escreveu a Bíblia" (2000), e um na categoria contos, "O Olho Enigmático" (1988). Em 1980, ele venceu o prêmio de literatura da APCA por "O Centauro no Jardim".
Seus livros frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina e a vida da classe média. A obra de Scliar já foi traduzida para doze idiomas.
Dois deles, "Um Sonho no Caroço do Abacate" e "Sonhos Tropicais", ganharam adaptação para o cinema. 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/881692-morre-aos-73-anos-o-escritor-gaucho-moacyr-scliar.shtml

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sexa

   — Pai
   — Hmmm?
   — Como é o feminino de sexo?
   — O quê?
   — O feminino de sexo.
   — Não tem.
   — Sexo não tem feminino?
   — Não.
   — Só tem sexo masculino?
   — É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
   — E como é o feminino de sexo?
   — Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
   — Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
   — O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
   — Não devia ser "a sexa"?
   — Não.
   — Por que não?
   — Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.
   — O sexo da mulher é masculino?
   — É. Não! O sexo da mulher é feminino.
   — E como é o feminino?
   — Sexo mesmo. Igual ao do homem.
   — O sexo da mulher é igual ao do homem?
   — É. Quer dizer... Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
   — Certo.
   — São duas coisas diferentes.
   — Então como é o feminino de sexo?
   — É igual ao masculino.
   — Mas não são diferentes?
   — Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
   — Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
   — A palavra é masculina.
   — Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “o pal...”
   — Chega! Vai brincar, vai.
   O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
   — Temos que ficar de olho nesse guri...
   — Por quê?
   — Ele só pensa em gramática.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Cronologia: anos 2000

2000 – Escreve "Borges e os orangotangos eternos" para a série "Literatura ou morte", da Cia. das Letras. A Objetiva começa a reorganizar por temas crônicas de toda a sua vida e lança "As mentiras que os homens contam". 


2001 – Sai a antologia “Comédias para se ler na escola”. Seus romances “Gula - Clube dos anjos” e “Borges e os orangotangos eternos” são traduzidos para vários países.

2002 - Saem mais três volumes de crônicas: “Sexo na cabeça”, “A mesa voadora” e “Todas as histórias do Analista de Bagé”. Pela primeira vez publica seus poemas, no livro “Poesia numa hora dessas?!”. Cobre a Copa de Japão/Coreia do Sul para “O Globo”, “O Estado de S. Paulo” e “Zero Hora”.


Em sua casa Foto:José Doval, Banco de Dados - 13/05/2003)
2003 Decide reduzir de seis para duas por semana suas colunas na imprensa, passando a ter textos publicados apenas às quintas-feiras e aos domingos. É tema de reportagem de capa da revista “Veja” como o escritor que mais vende livros no Brasil. É lançado “Banquete com os deuses”, reunindo crônicas sobre cinema, literatura e outras artes.

Clube dos Anjos (The Club of Angels, em sua tradução americana) é escolhido pela New York Public Library como um dos 25 melhores livros do ano.

2004 Participação na Festa Literária Internacional de Paraty.

Setembro/Outubro de 2004: recebe o prêmio Deux Oceans - Grinzane Cavour, criado pelo festival La Cita (Cinemas et cultures de l`Amerique latine) de Biarritz.

Outubro: Participação no Festival Belles Latinas (Literaturas contemporâneas da América Latina), em Lyon, França.


Com Chico Buarque
2005– Durante o Ano do Brasil na França, participa como convidado de eventos literários em várias cidades francesas.

Em fevereiro: participa do encontro internacional de literatura Correntes d`Escritas em Póvoas de Varzim, Portugal.

Em março: encontro literário Les Jeudis du Comptoir, em Marselha.

Em abril: Participação na Feira do Livro de Buenos Aires.

Em maio: convidado da Comédie du Livre, em Montpellier.

Em novembro: Convidado pela Maison des Écrivains Étrangers et des Traducteurs de Saint Nazaire a participar de um encontro literário internacional que, naquele ano, tinha como tema « L’Invention du Livre ».

Encontro com estudantes da região de Seine Saint-Denis, subúrbio de Paris, dentro do projeto “Escale Brésil” do Salon du livre et de la Presse Jeunesse, que acontece na capital francesa. O encontro foi organizado pela biblioteca de Villepinte e contou com a participação de estudantes que haviam lido o livro “O Clube dos Anjos” (“Et mourir de plaisir”, na edição francesa) além da companhia de teatro “Issue de secours”, que preparou uma leitura-espetáculo de um capítulo.

Encontro com leitores na Universidade de Genebra, Suíça, e na loja FNAC Balexert; sessão de autógrafos na Maison des Arts du Grütli, centro de cultura de Genebra.

Colóquio internacional La Langue Portugaise, le Brésil, la Lusophonie, la Mondialisation Linguistique: un nouveau regard, ao lado de escritores de Moçambique, Timor-leste, Portugal, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Angola, no Palácio de Luxemburgo em Paris.

Vai a Romênia para o relançamento do livro O Senhor Embaixador, de Érico Veríssimo, com texto integral (a edição romena anterior, dos anos 60, teve vários trechos censurados) e para o lançamento do seu O Clube dos Anjos.

2006 – Junho: antes do início da Copa do Mundo, participa da "Copa da Cultura" na Alemanha

Setembro: participação na X Feira Pan-Amazônica do Livro em Belém do Pará, ao lado da filha Mariana Veríssimo (roteirista e co-autora, ao lado de Adriana Falcão, do livro P.S. Beijei, Ed. Salamandra).

Outubro: participação no Salão Internacional do Livro em Vila Velha, Espírito Santo.

2007– Fevereiro: viaja a Israel com vários outros escritores a convite da Confederação Israelita do Brasil/CONIB e da Embaixada de Israel no Brasil. No dia 24 de fevereiro, participa em Jerusalém de uma homenagem do Governo de Israel a seu pai, Érico Veríssimo, pelo livro “Israel em Abril’.

Março: visita de uma semana a Costa Rica a convite do Centro de Estudos Brasileiros daquele país, para encontros com estudantes de língua portuguesa.
Com o livro "O Mundo é Bárbaro"

2008 – Lança o livro "O Mundo É Bárbaro".   
 
2009 – Lança o romance "Os Espiões".

2010 – Fica em terceiro lugar no Prêmio Jabuti na categoria romance com o livro "Os Espiões". é lançado o livro "Conversas sobre o tempo", uma conversa emocionante, reveladora e divertida,  mediada pelo escritor e jornalista Arthur Dapieve, entre Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura. Eles falam de Família, Amizade, Paixões, Política e Morte.

Créditos das cronologias: Portal Literal Terra - http://literal.terra.com.br/verissimo/

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lixo

   Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
   - Bom dia...
   - Bom dia.
   - A senhora é do 610.
   - E o senhor do 612
   - É.
   - Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
   - Pois é...
   - Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
   - O meu quê?
   - O seu lixo.
   - Ah...
   - Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
   - Na verdade sou só eu.
   - Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
   - É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
   - Entendo.
   - A senhora também...
   - Me chame de você.
   - Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
   - É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
   - A senhora... Você não tem família?
   - Tenho, mas não aqui.
   - No Espírito Santo.
   - Como é que você sabe?
   - Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
   - É. Mamãe escreve todas as semanas.
   - Ela é professora?
   - Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
   - Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
   - O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
   - Pois é...
   - No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
   - É.
   - Más notícias?
   - Meu pai. Morreu.
   - Sinto muito.
   - Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
   - Foi por isso que você recomeçou a fumar?
   - Como é que você sabe?
   - De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
   - É verdade. Mas consegui parar outra vez.
   - Eu, graças a Deus, nunca fumei.
   - Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
   - Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
   - Você brigou com o namorado, certo?
   - Isso você também descobriu no lixo?
   - Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
   - É, chorei bastante, mas já passou.
   - Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
   - É que eu estou com um pouco de coriza.
   - Ah.
   - Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
   - É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
   - Namorada?
   - Não.
   - Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
   - Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
   - Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
   - Você já está analisando o meu lixo!
   - Não posso negar que o seu lixo me interessou.
   - Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
   - Não! Você viu meus poemas?
   - Vi e gostei muito.
   - Mas são muito ruins!
   - Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
   - Se eu soubesse que você ia ler...
   - Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
   - Acho que não. Lixo é domínio público.
   - Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
   - Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
   - Ontem, no seu lixo...
   - O quê?
   - Me enganei, ou eram cascas de camarão?
   - Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
   - Eu adoro camarão.
   - Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
   - Jantar juntos?
   - É.
   - Não quero dar trabalho.
   - Trabalho nenhum.
   - Vai sujar a sua cozinha?
   - Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
   - No seu lixo ou no meu?

Cronologia: anos 80 e 90

1980 – Lança "Sexo na cabeça". Vive com a família em Nova York entre agosto de 1980 e fevereiro de 1981, o que dá origem, anos depois, a "Traçando New York", primeiro de uma série de livros sobre viagem, sempre com ilustrações de Joaquim da Fonseca.

1981 – Publicado pela L&PM, editora que lançou a maior parte de seus livros, "O Analista de Bagé" tem sua primeira edição esgotada em dois dias, iniciando a consagração do personagem, criado (mas não aproveitado) para Jô Soares interpretar num programa humorístico. 

Visitando Sócrates em Florença
1982 – Publica "O gigolô das palavras", e a crônica-título inspira o filólogo Celso Pedro Luft a batizar com este nome, em sua coluna no jornal gaúcho "Correio do Povo", uma série sobre gramática. Passa a ter uma página de humor na revista "Veja", para onde escreve até 1989. Conquista o Prêmio Abril de Humor Jornalístico. 

1983 – O livro "A Velhinha de Taubaté" transforma em celebridade outra personagem sua. Sai "O Analista de Bagé" em quadrinhos, com ilustrações de Edgar Vasques. Ganha novamente o Prêmio Abril de Humor Jornalístico. 

1984 – Publica "A mulher do Silva" e "O rei do rock". 

1985 – Lança "A mãe do Freud" e, com ilustrações de Miguel Paiva, "Ed Mort em ‘Procurando o Silva’", primeira de uma série de cinco histórias em quadrinhos protagonizadas pelo detetive. 

1986 – Mora seis meses com a família em Roma. Cobre a Copa do México para a revista "Playboy". 

Com os filhos e a mulher em Roma
1987 – "O marido do dr. Pompeu" é publicado. 

1988 – Atendendo a uma encomenda da agência de publicidade MPM, escreve seu primeiro romance, "O jardim do diabo". 

1989 – Começa a assinar no jornal "O Estado de São Paulo" uma página dominical que mantém até hoje, incluindo a série em quadrinhos "Aventuras da Família Brasil". "Brasileiras e brasileiros", seu primeiro texto escrito especialmente para teatro, estreia no Rio. Recebe o Prêmio Direitos Humanos do Movimento de Justiça e Direitos Humanos e da Comissão Sobral Pinto de Direitos Humanos da OAB/RS. Publica "Orgias".

1990 – Cobre a Copa da Itália para "Jornal do Brasil", "O Estado de S. Paulo" e "Zero Hora". Lança "Peças íntimas".

Temporada de dez meses com a família em Paris. A experiência dá origem ao livro Traçando Paris, com ilustrações de Joaquim da Fonseca. 

Posando com alguns de seus livros
1991 – Recebe da prefeitura a Medalha Cidade de Porto Alegre e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul o Prêmio de Isenção Jornalística. Publica o livro “O santinho”, para crianças (com ilustração de Edgar Vasques), e a antologia “Pai não entende nada”, para jovens. 

1992 – Lança "O suicida e o computador" e "Traçando Paris". 

1993 – Publica "Traçando Roma". 

1994 – "Comédias da vida privada – 101 crônicas escolhidas" é lançado com grande sucesso. Cobre a Copa dos Estados Unidos para "Jornal do Brasil", "O Estado de S. Paulo" e "Zero Hora", e o que vê no país se transforma no livro "América". Lança o livro infantil "O arteiro e o tempo", com ilustrações de Glauco Rodrigues, e "Traçando Porto Alegre". Volta a receber o Prêmio Direitos Humanos do Movimento de Justiça e Direitos Humanos e da Comissão Sobral Pinto de Direitos Humanos da OAB/RS. 

Os integrantes do grupo Jazz 6
1995 – Ocupa uma coluna diária na página de opinião do "Jornal do Brasil". É escolhido por um júri de intelectuais convidados pelo caderno "Ideias", do Jornal do Brasil, o Homem de Ideias do ano. Lança "Comédias da vida pública" e "Traçando o Japão". É formado o grupo Jazz 6, no qual toca saxofone. 

1996 – "Novas comédias da vida privada" dá sequência à série. Recebe a Medalha de Resistência Chico Mendes, dada pelo grupo Tortura Nunca Mais. A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro lhe confere a Medalha do Mérito Pedro Ernesto. A Associação Brasileira de Empresas de Relações Públicas lhe dá o Prêmio Formador de Opinião. 

1997 – Lança "A versão dos afogados – Novas comédias da vida pública" e "Traçando Madrid". Ganha o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, como o Intelectual do Ano. 

Com o saxofone no jardim de sua casa
1998 – Cobre a Copa da França para "Jornal do Brasil", "O Estado de S. Paulo" e "Zero Hora". 

1999 - Deixa de publicar as tiras de "As cobras" nos jornais. Sua obra toda passa a ser editada pela Objetiva, a começar pelos volumes de crônicas "A eterna privação do zagueiro absoluto", "Aquele estranho dia que nunca chega" e "Histórias brasileiras de verão". Dentro da série "Plenos pecados", da editora, publica "Gula – O clube dos anjos". Torna-se colunista diário de "O Globo", onde escreve na página de opinião. É um dos escolhidos para receber o 3º Prêmio Multicultural Estadão, organizado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As cobras no Terra Magazine

As cobras

Luis Fernando Verissimo 


Luis Fernando Verissimo desenhou As Cobras durante quase trinta anos, para vários jornais. Em 1997, ao completar 60 anos, o escritor concluiu que "não ficava bem um sexagenário desenhando cobrinhas" e as aposentou. Em 2006, criou para o lançamento de Terra Magazine uma série de tiras inéditas (que podem ser vistas nos links abaixo), e permitiu, generosamente, que fossem garimpadas de seu acervo pessoal, algumas Cobras clássicas, que Terra Magazine reedita a cada segunda-feira.

- http://terramagazine.terra.com.br/galerias/0,,OI135181-EI6577,00-Mais+Cobras.html
- http://terramagazine.terra.com.br/galerias/0,,OI28497-EI6577,00.html

A seleção é difícil pela quantidade e deliciosa pela qualidade. Ressurgem assim personagens antológicos como Dudu o Alarmista, Queromeu o Corrupião Corrupto, as lesmas Flecha e Shirley, e séries como as Cobras "no Espaço", "na Praia" e "frente ao infinito".

São personagens criados no início dos anos 70, quando Verissimo escrevia diariamente para o jornal Folha da Manhã, de Porto Alegre. A idéia era "um desenho rápido, que não desse muito trabalho e substituísse o texto da minha coluna, nas edições de sábado", explica o autor. "Por que cobras? Porque cobras é fácil de desenhar. Cobra é só pescoço e não tem mão."

Além das Cobras, o escritor também se aventurava pelo cartum, que sempre considerou "a forma mais concisa, e mais difícil, de humor". Em seu primeiro livro, O Popular (Editora José Olympio), de 1974, as crônicas eram entremeadas com cartuns e quadrinhos.

Três anos mais tarde, já cult na imprensa gaúcha, As Cobras apareceram pela primeira vez em livro junto com outros desenhos (As Cobras e outros Bichos, L&PM, 1977). Na introdução ao livro, Verissimo afirma que já desenhava antes de escrever, mas faz uma avaliação bem-humorada de seus dotes artísticos:

"Tenho um problema curioso para um desenhista. Não sei desenhar. Isto não me impede de insistir com o desenho, apesar dos conselhos de amigos, das indiretas da família e de telefonemas ameaçadores. Insisto, em primeiro lugar, por conveniência. Não digo que uma imagem valha mil palavras, mas umas 500 - o necessário para encher uma coluna de jornal - vale. Qualquer cronista diário daria a sua mão direita para poder desenhar em vez de escrever, de vez em quando, se fosse canhoto."

Exagerado na auto-crítica, claro. As tiras das Cobras têm a concisão dos melhores humoristas e a linguagem certeira de um dos textos mais admirados do país.

Fonte: Terra Magazine - http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4954085-EI11360,00-As+cobras.html

Sexo e futebol

   A dissertação nada-a-ver de hoje é: no que o sexo e o futebol se parecem?
   No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao mesmo tempo, avançam e recuam, quase sempre vão pelo meio mas também caem para um lado ou para o outro e às vezes há um deslocamento. Nos dois é importantíssimo ter jogo de cintura.
   No sexo, como no futebol, muitas vezes acontece um cotovelaço no olho sem querer, ou um desentendimento que acaba em expulsão. Aí um vai para o chuveiro mais cedo.
   Dizem que a única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música, porque o agarramento é o mesmo, e no escanteio também tem gente que fica quase sem roupa.   
   Também dizem que uma das diferenças entre o futebol e o sexo é a diferença entre camiseta e camisinha. Mas a camisinha, como a camiseta, também não distingue, ela tanto pode vestir um craque como um medíocre.   
  No sexo, como no futebol, você amacia no peito, bota no chão, cadência, e tem que ter uma explicação pronta na saída para o caso de não dar certo.  
  No futebol, como no sexo, tem gente que se benze antes de entrar e sempre sai ofegante.
  No sexo, como no futebol, tem o feijão com arroz, mas também tem o requintado, a firula e o lance de efeito. E, claro, o lençol.   
  No sexo também tem gente que vai direto no calcanhar.  E tanto no sexo quanto no futebol o som que mais se ouve é aquele “uuu”.
  No fim, sexo e futebol só são diferentes, mesmo, em duas coisas. No futebol, não pode usar as mãos. E o sexo, graças a Deus, não é organizado pela CBF.

Cronologia: anos 60 e 70

1960 Participa de seu primeiro grupo musical, o Renato e seu Sexteto. Segundo ele, "o maior sexteto do mundo, porque tinha nove integrantes". O grupo toca em bailes na capital gaúcha.

1962 – Muda-se para o Rio de Janeiro, morando na casa da irmã de sua mãe, no Leme. Trabalha como tradutor e redator de publicações comerciais, entre elas o "Boletim da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro". Começa a namorar Lúcia Helena Massa, colega de "Boletim". 
Com seu primeiro grupo de jazz: Renato e seu Sexteto
                                                                                          
1964 Casa-se com Lúcia, sua companheira até hoje. 

1965 Nasce a primeira filha, Fernanda. 

 Num momento musical
1967 Um ano depois de voltar a Porto Alegre, entra para o jornal "Zero Hora" como copy-desk, a convite de Paulo Amorim, um amigo da família. Nasce Mariana, a segunda filha.  

1969 Torna-se redator da MPM Propaganda. Passa a ter uma coluna diária na "Zero Hora", sendo os primeiros textos sobre o Beira-Rio, recém-inaugurado estádio do Internacional, seu clube de coração.

1970 Transfere-se, também como colunista diário, para o jornal "Folha da Manhã". Nasce o terceiro filho, Pedro. No 1º Salão Gaúcho de Arte Publicitária, conquista o primeiro lugar nas categorias Campanha de Propaganda Institucional e Anúncios Institucionais.

Com outros artistas gaúchos
1971 Cria com um grupo de amigos "O Pato Macho", jornal alternativo que vai circular durante todo o ano em Porto Alegre, com notícias, entrevistas, textos de humor e cartuns.            
                                                                                                                         
1973 – A editora José Olympio lança seu primeiro livro, "O popular", reunindo textos publicados na imprensa.

1974
O crítico Wilson Martins, um dos mais importantes do país, elogia seu primeiro livro em "O Estado de S. Paulo". 

Autografando um de seus primeiros livros
1975 - Pouco antes de a "Folha da Manhã" ser extinta, volta a ser colunista da "Zero Hora", função que ocupa até hoje. Sai seu segundo livro de crônicas, "A grande mulher nua". Passa a publicar no "Caderno B", do "Jornal do Brasil", uma coluna dominical e cartuns às segundas-feiras. Começa a desenhar "As cobras" e lança seu primeiro livro reunindo tiras destes personagens. Érico Veríssimo morre em Porto Alegre. 

1976 Começa sua longa colaboração com a revista "Domingo", do "Jornal do Brasil".

1977 Publica o livro "Amor brasileiro".  

1978 Lança "A mesa voadora", reunião de crônicas sobre assuntos gastronômicos. 

1979 Surge em livro o detetive Ed Mort, em "Ed Mort e outras histórias".

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Bagé

   Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vêm de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas.
   Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, história apócrifa é mentira bem-educada), mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar.
   Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.
   ― Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.
   ― O senhor quer que eu deite logo no divã?
   ― Bom, se o amigo quiser dançar uma marca antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.
   ― Certo, certo. Eu...
   ― Aceita um mate?
   ― Um quê? Ah, não. Obrigado.
   ― Pos desembucha.
   ― Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?
   ― Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.
   ― Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe.
   ― Outro...
   ― Outro?
   ― Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.
   ― E o senhor acha...
   ― Eu acho uma poca vergonha.
   ― Mas...
   ― Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê! 

                                                                *

   Contam que outra vez um casal pediu para consultar, juntos, o analista de Bagé.
Ele, a princípio, não achou muito ortodoxo.
   ― Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira...
Mas acabou concordando.
   ― Se abanquem, se abanquem no más. Mas que parelha buenacha, tchê. Qual é o causo?
   ― Bem ― disse o homem ―,é que nós tivemos um desentendimento...
   ― Mas tu também é um bagual. Tu não sabe que em mulher e cavalo novo não se mete a espora?
   ― Eu não meti a espora. Não é, meu bem?
   ― Não fala comigo!
   ― Mas essa aí tá mais nervosa que gato em dia de faxina.
   ― Ela tem um problema de carência afetiva...
   ― Eu não sou de muita frescura. Lá de onde eu venho, carência afetiva é falta de homem.
   ― Nós estamos justamente atravessando uma crise de relacionamento porque ela tem procurado experiências extra-conjugais e...
   ― Epa. Opa. Quer dizer que a negra velha é que nem luva de maquinista? Tão folgada que qualquer um bota a mão?
   ― Nós somos pessoas modernas. Ela está tentando encontrar o verdadeiro eu, entende?
   ― Ela ta procurando o verdadeiro tu nos outros?
   ― O verdadeiro eu, não. O verdadeiro eu dela.
   ― Mas isto tá ficando mais enrolado que linguiça de venda. Te deita no pelego.
   ― Eu?
   ― Ela. Tu espera na salinha.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cronologia: anos 30, 40 e 50

1936 - Nasce no dia 26 de setembro em Porto Alegre, filho do escritor Erico
Veríssimo e de Mafalda Volpe Veríssimo.

1943 - Passa a morar com os pais e a irmã, Clarissa, na Califórnia, já que
Erico é convidado a lecionar na Universidade Estadual, em Berkeley e Los

Angeles. Estuda na Argonne School, em San Francisco, e na Canfield School, em Los Angeles.    
O escritor quando criança  

1945 - Volta a viver na capital gaúcha.

1950 - Edita com a irmã e com o primo Carlos Eduardo Martins "O Patentino", jornal com notícias sobre a família que era colado na parede do banheiro da casa. Assiste em Porto Alegre a Iugoslávia x México, primeiro dos muitos jogos de Copa do Mundo que veria na vida.

1953 – Volta aos Estados Unidos, agora em Washington, onde seu pai assume o cargo de diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana. Sem conseguir alugar um pistom, seu instrumento preferido, começa a estudar saxofone. Vai freqüentemente a Nova York, onde se apaixona definitivamente pelo jazz, chegando a ver em ação, no Birdland, Charlie Parker e Dizzy Gillespie juntos. 



Em Paris, com Erico e Mafalda, seus pais
1956 - Conclui o Curso Secundário na Roosevelt High School.Volta para Porto Alegre e começa a trabalhar no setor de arte e planejamento da Editora Globo. Uma de suas tarefas é criar a capa de "O retrato", de Erico Verissimo.

1959 – Primeira viagem à Europa, acompanhando os pais. Depois passa a maior parte do ano em Washington, onde mora sua irmã.




O cronista e as aranhas

   Me dou conta que a Anita e a Arabela morre­ram e eu não comentei nada! A gente aqui catando assunto — este dá, este não dá, este ninguém entenderia, este não passa, este seria presunçoso, este daria cadeia, meu Deus, já são quase oito e eu ainda não escrevi nada! — e o assunto aí, pedindo. Vamos lá, então. Duas laudas e meia sobre Anita e Arabela, as aranhas espaciais já falecidas.
   Primeiro, algumas considerações preliminares sobre forma.
   Deve ser uma crônica tecida. Isso. Deve sair como uma teia, feita com cuspe e paciência. Mas ligei­ro, que o jornal não pode esperar.
   Quem  sabe  uma  linha  de  cada  vez,   para apressar?
   Linhas soltas, pendentes, diáfanas, para pegar as ideias no ar, como insetos?
   Linhas repetidas, para simetria?
   Linhas repetidas, para simetria?
   Linhas re. . .
   Não. Preciosismo gráfico. A diferença entre a aranha e o cronista é que a aranha não tem nenhuma angústia estilística. A aranha não entende de forma. A forma, na sua vida, é apenas uma correta disposi­ção da saliva, não peça para ela explicar. A Anita, por exemplo, diria apenas:
   — Eu não sei explicar, entende? Não há nada pra explicar. É tudo só pra pegar inseto, entende? Pra matar a fome e sobreviver, entende? Eu não que­ro dizer nada com a minha teia, não há nenhuma mensagem, entende?
   Já o cronista se esforça para provar o contrário, que o seu estilo é a desfiação final das dezessete mil maneiras de dizer qualquer coisa, e que se ele escolheu esta maneira de dizê-la, então a sua escolha, a sua forma, tem tanta importância quanto o que ela — a linguagem, entende? — representa, ou então, deixa ver, acho que me enredei um pouco, é melhor deixar. Olha aí, peguei uma ideia no ar mas ela caiu. O que o cronista quer dizer é que a sua teia é um en­genho da imaginação, uma decisão sobre o mundo, alguma coisa além de uma armadilha para o almoço. Ao contrário da aranha, eu posso explicar todas as minhas metáforas. Com metáforas, é claro.
   Digamos que, junto com a Anita e a Arabela, levassem um cronista para o espaço. Com objetivos puramente científicos. Como se comportaria um esteta no vácuo? Dentro da nave pressurizada, o cronista seria instruído a fazer literatura enquanto as aranhas fizessem suas teias. Uma comparação. O cro­nista hesitaria. O cronista teria dúvida no espaço. Sem falar em enjoo de estômago e surtos de melancolia.
   — Vamos, comece — diria o amerirusso no comando da expedição.
   — Pera um pouquinho!
   — Como, esperar? Olha ali, as aranhas já começaram.
   — Peraí, pô. As aranhas não pensam. Eu pen­so, logo pera um pouquinho. Não tem nada pra beber aí? Deixa ver. Uma crônica. Hmm. . . Quantas lau­das? A favor ou contra? Como é que eu posso escre­ver de cabeça para baixo? Com esse papel não dá! Ai, meu saco. Eu não me ajeito com máquina elétrica... Escrever o quê?
   — Escreva duas laudas e meia sobre as ara­nhas no espaço.
   — Bom, tá bem, mas primeiro algumas considerações preliminares sobre forma.